Balanço geral

Olá meus amigos!!!

Bom, desapareci mas voltei.

Nos comentários do último texto, a Sandra pediu para mim uma orientação sobre o caso da filha dela. Então, quero aproveitar a situação e deixar aqui o meu contato:contato@agathavoleidepraia.com.br. O que eu puder fazer para ajudar a sanar as dúvidas, eu farei.

 

Vamos lá! Me falem, o que vocês acharam da nossa participação na olimpíada? Gostaram dos nossos times atuando? Criaram expectativas de resultados melhores ou piores?

 

Começaremos com o masculino. Durante a competição, eu ouvi muito as pessoas falando sobre o jogo da semifinal entre os brasileiros. Todos acreditavam que iria dar Ricardo e Emanuel na final. Mas como o voleibol é uma caixinha de surpresas (nossa essa é velha eim?!) Fábio e Márcio tiveram a chance de jogar contra os americanos. Naquela semifinal, não era o Ricardo e o Emanuel que conhecíamos, que estavam em quadra. Muito diferente do habitual, erros que normalmente não acontecem, eles deixaram escapar a chance de tentar um segundo ouro olímpico. No outro lado, não podemos deixar de citar toda a vontade de ganhar do Fábio e do Márcio. Este último, estava inspiradíssimo, defendo tudo que via pela frente. Já o Fabão era nítido o nervosismo dele, mas também né galera, quem não estaria nervoso com a chance de fazer uma final olímpica? Ele segurou a onda e mandou muito bem.

 

Na minha opinião, os dois venceram a semifinal, porque estavam sentindo menos pressão. Quem acompanhou a trajetória da dupla em 2008, sabe que a vaga para a Pequim, foi decidida no último torneio do circuito mundial, isto é, 1 mês antes das olimpíadas. Ricardo e Emanuel já tinham assegurado a sua vaga muito tempo antes. Voltando então, com esta pressão de quase não conseguir ir pra olimpíada, Fábio e Márcio chegaram nos jogos com menos peso nos ombros… pode-se dizer até aliviados. Lá dentro de quadra o bicho pega sim, mas imaginem na cabeça de dois caras, que em 2007 ganharam quase tudo, mas que em 2008 passaram o ano inteiro na pressão mesmo, tendo maus resultados, conquistam a vaga nos 45 minutos do segundo tempo, chegam nas olimpíadas, têm competência para chegar numa semifinal, jogam com chance de conquistar um ouro olímpico, com certeza naquele jogo a vontade de vencer era maior do que tudo e tenho certeza que a felicidade também, pois a dupla já era vencedora naquele momento.

 

Palmas para a prata dos nossos brasileiros. E antes de acabar sobre os meninos, vamos bater palmas também para Ricardo e Emanuel e o bronze brasileiro. O nosso povo tem mania de achar, que só o ouro é merecedor de comemoração. Quem pensa assim, deveria ter a oportunidade de viver a vida de um atleta por um tempo. Tem gente que não tem noção de realidade, não sabe que conquistar uma medalha de bronze numa olimpíada, é como ser o terceiro melhor do mundo na sua profissão. Será que a pessoa que não valoriza um bronze, pode um dia ser o terceiro melhor do mundo na sua profissão???

Parabéns para as duas duplas brasileiras do masculino. Prata e Bronze, só deu verde e amarelo no pódio.

 

Agora as meninas. Tenho certeza que eu e o Brasil inteiro achávamos que teríamos pelo menos uma dupla no pódio. Falando da primeira dupla. Com a saída da Juliana, sabíamos que não seria tão fácil. Mas as duas jogadoras que se juntaram na última hora, Ana Paula e Larissa, individualmente eram muito boas. Por isso, a esperança de medalha era grande. Mas, infelizmente nossas expectativas não foram correspondidas e as meninas ficaram com um quinto lugar. O problema não foi ter perdido para Walsh e May, o problema foi ter perdido antes para as australianas. Com esta derrota, Ana Paula e Larissa foram obrigadas a cruzar com um país que tivesse saído em primeiro da chave. E o destino quis (por que eu falo isso? Porque a escolha do cruzamento foi decidida por sorteio!) que elas cruzassem com a dupla americana. Depois disto tudo bem, não que automaticamente jogar contra esta dupla americana seja sinônimo de derrota, mas que elas estavam muito superiores em relação às outras duplas olímpicas, ah, isso elas estavam. Finalizamos assim, com uma quinta colocação, por sinal, a mesma da dupla Ana Paula e Sandra Pires na olimpíada de Atenas em 2004.

 

Renata e Talita. Lembro que eu fiquei muito atenta ao jogo das meninas contras as australianas. As mesmas australianas, que atrapalharam Ana Paula e Larissa. Aliás uma delas, a jogadora Cook, já vem fazendo estragos contra os times brasileiros desde a olimpíada de Sidney em 2000, onde ela e a parceira, tiraram das nossas brasileiras, Adriana Behar e Shelda, o ouro olímpico. Ms voltando à Renata e Talita. A dupla jogou muito bem a partida que valia a vaga para as semifinais. Mereceu mesmo estar entre as quatro melhores duplas do mundo. Apesar da quase escorregada contra as norueguesas, a dupla brasileira soube se impor durante a competição.

 

Em relação ao jogo da semifinal, contra as americanas Walsh e May novamente, senti que as meninas entraram muito ansiosas. Entraram também respeitando demais as adversárias. Talita que normalmente tem o ataque como sua melhor arma dentro do jogo, deixou este fundamento um pouco esquecido. Com certeza o bloqueio de Walsh assustou.

Mas realmente seria difícil passar por esta dupla tão coesa, que é a dupla da terra do Tio Sam.

 

Na disputa pelo bronze, realmente eu achava que iria dar Brasil. Uma pena mesmo. Ficamos com o quarto lugar. Palmas para o nosso quarto lugar! Mas tenho certeza que elas gostariam muuuuuuuito de voltar pra casa, com uma medalhinha no peito.

        

Em relação ao resultado final, eram poucas as chances do ouro sair das mãos das americanas. O segundo e terceiro lugar não foi nada surpreendente também. Estas duas duplas já vinham conquistando pódios durante as etapas do Circuito Mundial. Imaginei que poderíamos ter pelo menos uma dupla brasileira entre as três primeiras. A segunda dupla americana também poderia estar no pódio. Mas seria uma surpresa.

 

A China feminina mostrou ao mundo que aprendeu direitinho o esporte dominado pelos americanos e brasileiros. Em quatro anos, um país que não dominava as “artes” deste esporte, correu atrás do aprendizado, instruiu suas atletas e ensinou-as o vôlei de praia. As chinesinhas vinham fazer estágio aqui, no nosso país. É…..elas passavam a temporada de verão treinando nas areias cariocas. Grande exemplo este, de quem tem objetivo e vai atrás dos seus sonhos.

 

Passada a olimpíada, contagem regressiva para a próxima. Novo ciclo olímpico se inicia agora. Quem se arrisca adivinhar quais serão as duplas que estarão em Londres?

        

 

 

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O choro de Cielo

O choro de Cielo

Hoje vou pedir licença para os meus leitores e fugir um pouco do nosso assunto, o vôlei de praia feminino.

Quem teve o prazer de assistir hoje, o choro emocionado do nosso nadador Cielo Filho, no momento da vitória do ouro olímpico? Eu chorei junto com ele.

Aquele choro, não é só um choro de alegria pela conquista. É um choro de desabafo também. Desabafo por inúmeros motivos. Vou explicar melhor…

Ser atleta no Brasil não é fácil. Viver do esporte por si só, já é uma vitória. Estar numa olimpíada então é uma glória.

Para ser esportista no nosso país, o atleta precisa ser muito guerreiro. Com raras exceções, a iniciação esportiva no Brasil não é muito apoiada. Normalmente, o jovem precisa trilhar sozinho o seu caminho na modalidade escolhida. Poucos são os centros de treinamento, que investem nas crianças, pensando em futuros atletas. Poucos são os projetos, que se preocupam em investir nas melhores estruturas de treinamento, em pagar bons salários para técnicos competentes e para os atletas, em realmente patrocinar projetos esportivos que visam resultados positivos no futuro e não no agora.

Até no esporte, a política de apoio é imediatista. Trabalho a longo prazo? Poucos atletas vivenciaram ou vive isso atualmente. Em esportes menos reconhecidos pela mídia, a dificuldade é ainda maior. Sem marketing envolvido, qual seria o patrocinador que gostaria de apoiar uma modalidade, que tem pouca visibilidade, que aparece pouco nos meios de comunicação? Acho que nenhum. E eu apenas estou falando dos apoios das empresas privadas. E como fica a iniciação esportiva nos moldes públicos? Ontem eu escutei no jornal, que hoje, apenas 12% das escolas brasileiras possuem quadras esportivas. Como poderemos formar futuros campeões, se na escola, que é o local onde a criança toma o gosto pelo esporte, esta mesma criança não possui meios de conhecer e praticar alguma modalidade esportiva?

Este nosso país, com dimensões continentais, com uma população que carrega nos seus genes uma mistura maravilhosa de raças, deveria ser uma potência olímpica.

Ser atleta é sinônimo de abdicação. É priorizar o seu sonho. Família, amigos, moradia, infelizmente muitas vezes o próprio estudo, tudo isso fica em segundo plano, na vida de um atleta.
 
Como é importante o apoio da família. E não estou falando apenas do famoso “pai ou mãe-trocínio”, mas também do apoio psicológico. Já repararam como os atletas dedicam suas conquistas, principalmente para os seus pais?

E quando o atleta termina o ensino médio (isso quando termina) e precisa escolher entre fazer uma faculdade ou continuar buscando o seu sonho? É meus amigos, acho que muitos se viram nesta situação que relatei agora. Em outros países, na mão contrária do Brasil, sabemos de exemplos que dão certo, como o que acontece nos Estados Unidos, onde para se viver do esporte, os atletas são obrigados a cursar uma faculdade. A educação caminhando lado a lado com o esporte. Política 100% correta.

Mas vamos voltar ao choro do Cielo e de todos os outros esportistas…o choro da alegria e desabafo…o choro da vitória de saber que todo o esforço e a luta diária, valeram a pena. Que toda a abdicação foi recompensada. Que toda a energia gasta, todo o empenho em realizar o seu sonho, todos os objetivos foram atingidos no final.

Lágrimas de felicidade, que só correm no rosto dos que acreditam e correm atrás.

Esse choro carregado de sentimentos, nos faz sentir orgulho dos nossos atletas. Sentimos admiração pela dedicação e determinação com que encaram a vida.

Todos ganham no final. O atleta realizado e o povo brasileiro que vê a sua bandeira e o seu hino, símbolos nacionais, serem aplaudidos por todo o mundo.

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Um pouco de Ana Paula e Larissa

 Olá galerinha!

Chegou o espaço que estava faltando aqui no site, o lugar onde nós vamos conversar sobre o vôlei de praia feminino nas olimpíadas!

Antes de qualquer coisa, deixem que eu me apresente a vocês: eu sou a Ágatha, jogadora de vôlei de praia. Eu poderia ficar falando um pouco de mim aqui, para que vocês me conhecessem melhor, mas o intuito não é esse. Meu objetivo, é que a gente bata um papo sobre o desempenho das nossas meninas, nesta olimpíada.

Vamos dar uma passada geral, em tudo que já rolou até agora nas areias de Pequim. Ana Paula e Larissa. Quem poderia imaginar que esta seria uma das duplas, que nos representaria nesta olimpíada? Acho que até a uns dois meses atrás, isto seria muito difícil de imaginar. 

 Larissa e Ana Paula


Juliana perseguiu muito firme nestes últimos quatro anos, seu objetivo de estar numa olimpíada. Mas nem sempre o que a gente planeja acontece. Infelizmente para ela, este sonho não pôde ser realizado agora. Tristeza para uns, alegria para outros, Ana Paula que já estava fora da disputa, recebeu do Papai do Céu, a
chance de participar de mais uma olimpíada e tentar ganhar sua primeira medalha no vôlei de praia. Mas galerinha, não podemos ser injustos e pensarmos que foi apenas sorte. Ana Paula, juntamente com sua parceira Shelda, era a terceira dupla brasileira no ranking do circuito mundial. Sendo assim a chance veio, para quem merecia.

Nascendo assim a dupla que hoje nos representa nesta olimpíada, era de se esperar que o entrosamento entre a parceria não fosse muito rápido. No primeiro jogo, Ana Paula e Larissa passaram pela dupla georgiana, ou melhor dizendo, passaram pela dupla brasileira naturalizada pela Geórgia. Cris e Andrezza ofereceram resistência para as nossas brasileiras. Foi nítido o cansaço da Ana Paula. Também pudera, depois de um dia inteiro de viagem dentro de um avião, era de se esperar que ela não estivesse nos seus 100%. Mesmo com este obstáculo, vitória brasileira no final.

As russas foram as adversárias do segundo jogo. Jogo apertado, placar de 2×1. Vencemos novamente. Não sei se ficou claro para quem estava vendo o jogo, mas esta dupla da Rússia não é muito unida. Já ouviram falar do tal do “fio terra”? Pois é, nesta situação a garota com os cabelos escuros faz este papel na dupla, o papel do “fio terra”. É aquela pessoa que agüenta todas as brigas da parceira. Mas não pensem que toda dupla precisa de um “fio terra”. Isso só funciona para alguns. Bom, com ou sem “fio terra”, as garotas da terra da vodka, não conseguiram levar a melhor e Ana Paula e Larissa concluíram com vitória, mais um dia em Pequim.

Terceiro jogo: as australianas. Sabe aquele time que cresce em competições importantes? É este time. Na verdade a afirmação acima serve para 50% dele, a responsável por isso se chama Cook, a outra metade, que atende pelo nome de Barnett, está participando de sua primeira olimpíada.

A australiana Cook já tem duas medalhas olímpicas no currículo, uma de ouro e uma de bronze. O mais incrível, é que nas etapas disputadas pelo circuito mundial, esta australiana nunca obteve muitos bons resultados. A outra, Barnett, é novata. Com seus mais de 1,90m de altura, fez a diferença no bloqueio. Aliás, o último ponto do jogo, foi um bloqueio dela em cima da Ana Paula.

Infelizmente Ana e Larissa não conseguiram passar por esta dupla e perderam o jogo num duplo 21×23.

Curiosidade… para quem não sabe, o técnico da dupla australiana é um brasileiro. É o Alemão, o mesmo técnico que esteve por uns tempos, dirigindo a dupla Adriana Behar e Shelda. No final de jogos importantes, gosto muito de observar as reações dos atletas. Larissa e Ana tiveram reações bem diferentes. Ana se lembrou do filho no Brasil. Disse que se lembrou dele várias vezes durante o jogo, falou também da influência do garoto em sua vida. Depois de um jogo perdido, ela mostrou um outro lado, o lado mãe, saudoso, que teve que abdicar muitas vezes da convivência com a criança, para se dedicar ao voleibol. É, não é fácil ser mãe-atleta. Discurso regado a lágrimas, com uma mistura de fragilidade e vontade de vencer pelo filho.

Já Larissa foi mais seca. Senti um tom de revolta no ar. Posso estar errada. Mas foi o que ela me transmitiu. Um certo jornal escreveu o seu estado depois do jogo: vingativa. Ela esta certa ou errada? Não sei. Cada um tem um jeito de lidar com a derrota, de se preparar para a próxima batalha.

Olimpíada é isso, uma guerra. Vencer uma batalha a cada dia. Vencer e vencer. Pressões de todos os lados, da família, dos amigos, da imprensa, do país inteiro…e é claro, a pressão pessoal. É a vontade de cada atleta dar o melhor de si, na competição esportiva mais importante que existe.

E já, que nós estamos longe deste espetáculo na Terra, ficaremos daqui torcendo, para que os nossos brasileiros façam o seu melhor lá.

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