2008
3
set
Balanço geral
Olá meus amigos!!!
Bom, desapareci mas voltei.
Nos comentários do último texto, a Sandra pediu para mim uma orientação sobre o caso da filha dela. Então, quero aproveitar a situação e deixar aqui o meu contato:contato@agathavoleidepraia.com.br. O que eu puder fazer para ajudar a sanar as dúvidas, eu farei.
Vamos lá! Me falem, o que vocês acharam da nossa participação na olimpíada? Gostaram dos nossos times atuando? Criaram expectativas de resultados melhores ou piores?
Começaremos com o masculino. Durante a competição, eu ouvi muito as pessoas falando sobre o jogo da semifinal entre os brasileiros. Todos acreditavam que iria dar Ricardo e Emanuel na final. Mas como o voleibol é uma caixinha de surpresas (nossa essa é velha eim?!) Fábio e Márcio tiveram a chance de jogar contra os americanos. Naquela semifinal, não era o Ricardo e o Emanuel que conhecíamos, que estavam em quadra. Muito diferente do habitual, erros que normalmente não acontecem, eles deixaram escapar a chance de tentar um segundo ouro olímpico. No outro lado, não podemos deixar de citar toda a vontade de ganhar do Fábio e do Márcio. Este último, estava inspiradíssimo, defendo tudo que via pela frente. Já o Fabão era nítido o nervosismo dele, mas também né galera, quem não estaria nervoso com a chance de fazer uma final olímpica? Ele segurou a onda e mandou muito bem.
Na minha opinião, os dois venceram a semifinal, porque estavam sentindo menos pressão. Quem acompanhou a trajetória da dupla em 2008, sabe que a vaga para a Pequim, foi decidida no último torneio do circuito mundial, isto é, 1 mês antes das olimpíadas. Ricardo e Emanuel já tinham assegurado a sua vaga muito tempo antes. Voltando então, com esta pressão de quase não conseguir ir pra olimpíada, Fábio e Márcio chegaram nos jogos com menos peso nos ombros… pode-se dizer até aliviados. Lá dentro de quadra o bicho pega sim, mas imaginem na cabeça de dois caras, que em 2007 ganharam quase tudo, mas que em 2008 passaram o ano inteiro na pressão mesmo, tendo maus resultados, conquistam a vaga nos 45 minutos do segundo tempo, chegam nas olimpíadas, têm competência para chegar numa semifinal, jogam com chance de conquistar um ouro olímpico, com certeza naquele jogo a vontade de vencer era maior do que tudo e tenho certeza que a felicidade também, pois a dupla já era vencedora naquele momento.
Palmas para a prata dos nossos brasileiros. E antes de acabar sobre os meninos, vamos bater palmas também para Ricardo e Emanuel e o bronze brasileiro. O nosso povo tem mania de achar, que só o ouro é merecedor de comemoração. Quem pensa assim, deveria ter a oportunidade de viver a vida de um atleta por um tempo. Tem gente que não tem noção de realidade, não sabe que conquistar uma medalha de bronze numa olimpíada, é como ser o terceiro melhor do mundo na sua profissão. Será que a pessoa que não valoriza um bronze, pode um dia ser o terceiro melhor do mundo na sua profissão???
Parabéns para as duas duplas brasileiras do masculino. Prata e Bronze, só deu verde e amarelo no pódio.
Agora as meninas. Tenho certeza que eu e o Brasil inteiro achávamos que teríamos pelo menos uma dupla no pódio. Falando da primeira dupla. Com a saída da Juliana, sabíamos que não seria tão fácil. Mas as duas jogadoras que se juntaram na última hora, Ana Paula e Larissa, individualmente eram muito boas. Por isso, a esperança de medalha era grande. Mas, infelizmente nossas expectativas não foram correspondidas e as meninas ficaram com um quinto lugar. O problema não foi ter perdido para Walsh e May, o problema foi ter perdido antes para as australianas. Com esta derrota, Ana Paula e Larissa foram obrigadas a cruzar com um país que tivesse saído em primeiro da chave. E o destino quis (por que eu falo isso? Porque a escolha do cruzamento foi decidida por sorteio!) que elas cruzassem com a dupla americana. Depois disto tudo bem, não que automaticamente jogar contra esta dupla americana seja sinônimo de derrota, mas que elas estavam muito superiores em relação às outras duplas olímpicas, ah, isso elas estavam. Finalizamos assim, com uma quinta colocação, por sinal, a mesma da dupla Ana Paula e Sandra Pires na olimpíada de Atenas em 2004.
Renata e Talita. Lembro que eu fiquei muito atenta ao jogo das meninas contras as australianas. As mesmas australianas, que atrapalharam Ana Paula e Larissa. Aliás uma delas, a jogadora Cook, já vem fazendo estragos contra os times brasileiros desde a olimpíada de Sidney em 2000, onde ela e a parceira, tiraram das nossas brasileiras, Adriana Behar e Shelda, o ouro olímpico. Ms voltando à Renata e Talita. A dupla jogou muito bem a partida que valia a vaga para as semifinais. Mereceu mesmo estar entre as quatro melhores duplas do mundo. Apesar da quase escorregada contra as norueguesas, a dupla brasileira soube se impor durante a competição.
Em relação ao jogo da semifinal, contra as americanas Walsh e May novamente, senti que as meninas entraram muito ansiosas. Entraram também respeitando demais as adversárias. Talita que normalmente tem o ataque como sua melhor arma dentro do jogo, deixou este fundamento um pouco esquecido. Com certeza o bloqueio de Walsh assustou.
Mas realmente seria difícil passar por esta dupla tão coesa, que é a dupla da terra do Tio Sam.
Na disputa pelo bronze, realmente eu achava que iria dar Brasil. Uma pena mesmo. Ficamos com o quarto lugar. Palmas para o nosso quarto lugar! Mas tenho certeza que elas gostariam muuuuuuuito de voltar pra casa, com uma medalhinha no peito.
Em relação ao resultado final, eram poucas as chances do ouro sair das mãos das americanas. O segundo e terceiro lugar não foi nada surpreendente também. Estas duas duplas já vinham conquistando pódios durante as etapas do Circuito Mundial. Imaginei que poderíamos ter pelo menos uma dupla brasileira entre as três primeiras. A segunda dupla americana também poderia estar no pódio. Mas seria uma surpresa.
A China feminina mostrou ao mundo que aprendeu direitinho o esporte dominado pelos americanos e brasileiros. Em quatro anos, um país que não dominava as “artes” deste esporte, correu atrás do aprendizado, instruiu suas atletas e ensinou-as o vôlei de praia. As chinesinhas vinham fazer estágio aqui, no nosso país. É…..elas passavam a temporada de verão treinando nas areias cariocas. Grande exemplo este, de quem tem objetivo e vai atrás dos seus sonhos.
Passada a olimpíada, contagem regressiva para a próxima. Novo ciclo olímpico se inicia agora. Quem se arrisca adivinhar quais serão as duplas que estarão em Londres?


